Morte de Marielle e Anderson completa um mês com diversos atos e poucas respostas da PC

Divisão de Homicídios cruza dados e ainda não possui linha de investigação preponderante sobre o caso. Órgãos internacionais pressionam por resolução.


Por G1 Rio em 14/04/2018 - 09:29 hs

Manifestantes fazem ato por Marielle Franco e Anderson Gomes desde às 6h deste sábado (14) (Foto: Marcos Serra Lima /G1)

Foram 13 tiros por volta das 21h da quarta-feira, 14 de março de 2018. Há um mês, o mundo se chocava com a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, executados dentro do carro no bairro do Estácio, no Centro do Rio. Passado um mês do crime, atos se multiplicam em homenagens à vereadora neste sábado (14), enquanto a polícia segue com poucas respostas sobre o caso.

São realizados eventos durante a manhã e à tarde. No Largo do Machado, manifestantes se concentram desde 6h. Políticos como o deputado estadual Marcelo Freixo, o vereador Tarcísio Motta e o pré-candidato à presidência Guilherme Boulos, todos do PSOl, estiveram no local.

"Esse momento é de dor e de saudade, mas da presença da Marielle. Faz um mês e temos o compromisso de todo dia mantê-la viva, nas lutas, nas ruas e na memória", disse o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que foi chefe dela na Comissão de Direitos Humanos da Alerj.

A irmã de Marielle, Anielle Barboza, também esteve no local.

"Agradeço muito. Demonstrações de carinho e afeto como essas têm acalentado a gente. É claro que nada traz ela de volta, mas saber que o trabalho dela alcançou tanta gente mundo afora nos enche de orgulho. Só cresce a vontade de seguir com esse legado e pedir por Justiça. Não quem fez, mas quem foi a cabeça pensante disso", afirmou.

Das 10h às 14h, será realizado o evento "Semear Marielle" na Casa do Jongo da Serrinha, tradicional evento de dança de batuque do Rio, em homenagem à vereadora. Por último, às 17h, mais de 1,5 mil estão confirmadas em redes sociais para acompanhar uma marcha com percussão, saindo dos Arcos da Lapa até o local em que Marielle foi executada, no Estácio. Em texto do evento, pode-se ler:

"Foi por volta das 21h do dia 14 de março. Executaram Marielle e Anderson de forma covarde. Mas se pensaram que arrancariam as flores, semearam ainda mais a primavera. Neste sábado, quando completa um mês do assassinato de Marielle e Anderson, vamos caminhar em marcha, na companhia do som dos tambores e outros instrumentos. Vamos passar pelo último percurso que fizeram, saindo da Lapa e indo ao Estácio, onde aconteceu o assassinato. Junte-se a nós, na concentração às 17h nos Arcos da Lapa, e vamos ressignificar esse percurso tão doloroso.Vamos mostrar que estamos juntos e jamais nos calaremos! Vamos mostrar que estamos juntas e juntos para que floresçam Marielles em todos os jardins e que não daremos nenhum passo atrás."

Investigação complexa

Desde que o crime ocorreu, a Polícia Civil e o Ministério Público procuram rastrear o sinal dos celulares no trajeto feito pelo carro da vereadora, um Agile Branco. As informações coletadas são das 26 antenas de celulares do trajeto feito pelo carro em que estava Marielle, entre um evento na rua dos Inválidos, na Lapa, e na esquina das ruas João Paulo II e Joaquim Palhares, no Estácio, onde o carro foi atingido com vários tiros. Poucas informações foram passadas oficialmente pelos órgãos responsáveis, que consideram o caso um "quebra-cabeças" muito complexo.

Nesta semana, a polícia civil, com ajuda de policiais federais, encontrou partes de digitais em cápsulas usadas no crime, e está comparando com as digitais de dois homens mortos esta semana: O PM reformado Anderson Claudio da Silva e o líder comunitário Carlos Alexandre Pereira, que trabalhava como colaborador do vereador Marcello Siciliano, do PHS.

Os investigadores dizem que, por enquanto, os dois mortos não são considerados suspeitos.

Os agentes, com ajuda de outros setores da Polícia Civil, analisam e tentam cruzar os sinais fornecidos por cinco operadoras. O objetivo é, posteriormente, tentar identificar os números que conversaram, no trajeto feito pelo carro onde estava Marielle, antes e depois da execução.

As ligações entre o crime e as críticas de Marielle ao trabalho do 41º BPM (Acari), em um evento no qual esteve dias antes de morrer, e possíveis desavenças de Marielle com indiciados na CPI das Milícias, em 2008, são apuradas. A possibilidade de a execução da vereadora estar envolvida com seu trabalho na política também não está descartada. No entanto, segundo policiais ligados ao caso, não há uma linha de investigação mais forte até o momento.

O secretário de Segurança, Richard Nunes, afirmou em entrevista à Globonews que a principal motivação para o crime seria política.

"A atuação política dela, não só de momento mas de futuro, indica que a gente tem que ter um olhar mais acurado nessa direção", afirmou o secretário.

Nesta sexta-feira (13), o RJTV descobriu que o carro usado pelo criminosos que atiraram contra a vereadora passou por dois bairro antes de ficar à espera de Marielle. A polícia procura saber agora também o caminho percorrido pelo carro usado no crime depois das execuções, e se o veículo, após o assassinato na rua João Paulo I, voltou de ré e fugiu pela rua Joaquim Palhares em direção à Avenida Brasil.

Com medo de represálias, uma das assessoras de Marielle, que estava ao seu lado no momento do crime e seu marido deixaram o país. "A coisa de sobrevivente me marcou muito. Porque eu queria a Marielle viva. Porque eu queria o Anderson vivo. Porque sobreviver é uma coisa muito cruel. Por que eu preciso sobreviver? Que coisa horrenda é essa? Que violência é essa?" A declaração foi feita ao Fantástico, em 18 de março, quatro dias após ao crime.

Órgãos pedem prioridade

A Anistia Internacional pede prioridade na investigação do caso. No entendimento da Anistia, a cada dia em que o crime permanece sem resposta, aumentam as ameaças contra defensores dos direitos humanos no Brasil.

A Anistia pede uma "investigação imediata, completa, imparcial e independente, que não apenas identifique os atiradores, mas também os autores intelectuais do crime".

"Trinta dias depois do assassinato da Marielle, o estado ainda não deu uma resposta, não respondeu quem matou a Marielle. Isso é muito grave. Então, a Anistia relembra o estado brasileiro e ao estado do Rio de Janeiro, que eles devem responder à altura da gravidade desse assassinato", disse Renata Neder, coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional.

Até agora, o Disque Denúncia já recebeu 97 denúncias sobre esse caso.



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